terça-feira, 13 de março de 2012

Ausência

Há um buraco,
E ele é quase tudo.
Vazio,branco,distante
Nulo.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Covardia

E de repente, me dei conta de que não escrevia desde novembro. Quer dizer, tecnicamente escrevo e sou lida todos os dias. Mas não é disso que estou falando.

Existem um milhão de textos na minha cabeça. Existem zilhões de sentimentos dentro de mim em mais nuances do que sou capaz de contar. Mas existe também uma terrível covardia. Por algum motivo escrever alguma coisa é trazer essa "coisa" a realidade. E, por alguma ironia do destino, geralmente escrevo sobre os diferentes aspectos das angústias que tenho.

Ainda não entendo o porque do bloqueio. Passei meses tentando escrever e,em novembro, perdi a batalha. Enquanto bato o meu teclado agora, sinto em meu peito uma ardência e um cansaço que são dignos de um moribundo. É estranho como eu pude me afastar de um modo tão cruel de algo que sempre foi fonte de um conforto tão imenso.

Analisando racionalmente, talvez a minha parada repentina tenha relação com o modo como sou tão crítica comigo mesma. Minha incapacidade de sentir alguma compaixão pelo que eu mesma produzo deve ter me freado. Ou talvez não. Não sei.

Tenho inúmeros textos,crônicas e poesias na cabeça. Todos irritantemente repetitivos. Todos dolorosamente bossais. Mas eu resolvi que vou trazê-los a vida mesmo assim. Talvez isso seja uma forma de criar um exército de pequenos monstros que eu mesma terei que destruir depois, talvez isso seja organizar meia dúzia de conflitos de um jeito visual que me permita resolvê-los. Ou não. Definitivamente não. Minha mente não é um tabuleiro de war. Ainda.

É isso. Não vou deixar minha Efusão Lírica acabar de um modo tão repentino. Não. Ela merece mais que isso.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando tudo está nublado

Quando tudo está nublado
O dia fica bonito.
São milhares de guarda-chuvas coloridos,
Girando por aí.

Quando tudo está nublado
A vida parece um pirulito gigante,
Com aquelas cores vibrantes
Que só caramelo tem.

Quando tudo está nublado,
Meu humor azulado tem medo de sair
E sumir por aí.

Mas isso só acontece, quando o dia está nublado.

sábado, 17 de setembro de 2011

Les versets étrangers

I miss you,me.
I miss the way things used to be.
I miss your sweet eyes and the way you hold your breath,
Just for a while.

I miss my happiness and the way you face life.
I miss you so hard and it cuts me like a knife.
But I never knew you enough,to feel like that,

And admit it makes me feel like ass.
Just go pursuit your dreams and stop haunting my mind.
'Cause boy,in anyway,you have been kind.

domingo, 14 de agosto de 2011

A menina que comia amoras

E ela correu pelo chão de concreto,pisando com força. Como criança,ela sentiu o coração acelerar e continuou naquele ritmo  até se sentir ofegante. Alguns muitos metros depois,ela chegou num pedaço de terra que havia sido resguardado do cinza. Lá,nascia torto um pé de amora. As folhas amareladas eram deformadas por mordidas de lagartas. E,ao longo do tronco,formigas andavam enfileiradas com tranquilidade.

Ela passou as mãos pelo tronco torto com doçura,murmurando em francês uma canção qualquer. E lá no alto,suas unhas carmins encontraram uma amora grande e preta de tão roxa. E,quando a fruta encontrou seus lábios,foi mais doce que amor,amora.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre as transformações e a vida por aí


A vida tem tomado caminhos que eu nunca pensei que pudesse tomar. Eu me vejo aberta,risonha e,ainda sim,séria e cada vez mais corporativa. Eu não tenho mais sentido tanto ímpeto em concretizar as páginas e páginas inteiras que todos os dias são formados na minha cabeça.

Acho que tenho passado por um momento meu e só meu. As alegrias e desamores estão compondo alegorias muito intensas que um dia pretendo fazer desfilarem por aí. O fato é que eu não sei o que eu sou ou o que eu quero. É uma ousadia muito grande tentar afirmar isso com certeza. A única certeza que eu quero ter é a de que não vou querer voltar atrás naquilo que acreditei com tanta força.


A vida não é um sonho,mas o que não sai como a gente pensa não precisa ser uma noite mal dormida. Ao mesmo tempo que tudo contrasta,nada precisa ser assim. Entre o preto e o branco há vários tons de cinza.É verdadeiramente incrível perceber que tudo se transforma,tudo é multifacetado. Apesar do tempo nublado,no meio do dia saem raiozinhos de sol. E isso não é otimismo,é a constatação dos fatos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

De um ano pra cá

De um ano pra cá,muita coisa mudou.
Antes,tudo era sol,não havia sombra nos dias.
Tudo era motivo, e eu sorria.

De um ano pra cá,a realidade ganhou o peso
De um milhão de Bendegós e a minha vida talvez esteja
Imersa em uma tristeza de dar dó.

De um ano pra cá,muita coisa mudou.
De caloura inocente passei a estudante desiludida
Com as hipocrisias de uma academia,
Onde a pompa e a folia
São a energia dos pseudo-intelectuais.