segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Surrealismo Crônico.

Tudo começou colorido.Com muitas risadas e poucos caprichos. Mas,aos poucos as cores tomaram tons diferentes e reorganizaram-se na tela.
Eu mudei.Você mudou.Mudamos. Juntos ou não,tornamo-nos outras pessoas com o mesmo nome,a mesma aparência.E isso fez,para mim,toda a diferença. Amo-te, a ama. Não existe conciliação e você se preocupa com a minha dor.
Essa confiança tranquila tem mais efeito sobre mim do que teriam palavras violentas ou desdém. Esse suporte,toda essa compreensão transmuta-se em uma aversão voltada do meu meu ID para a minha carne.
Eu não quero um amigo leal,eu não quero um ombro acolhedor.Eu quero o amante canalha e sem escrúpulos,mas você,em sua imensa doçura não compreende. Suas lentes de contato estão trocadas,e então,você enxerga tudo na cor diferente da realidade.
Não se preocupe.Não se zangue.Não se abale.
Tudo dá certo quando chega ao fim. E,finalmente,parece que eu vou acertar.


Carolina.

Luís sujou o dedo com a única gota de sangue presente na folha.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A libélula.

Tudo é silêncio. A libélula entra pela janela.Leve e faceira,quase graciosa. Parece sustentada por fios invisíveis aos meus olhos míopes e limitados.Ela ricocheteia nas paredes,acerta o ventilador.Achando que ela está morta,rio da sua dor.
Ela,no entanto,é valente,cai e começa a arrastar-se pelo chão.Pobre lavadeira!Presa em um inferno tantálico,os seus minutos contados.Pela última vez ela sobe no ar,novamente as paredes vai ricochetear,e então,encontra o lustre,iluminado e quente demais.
Eu escuto asas debatendo-se ,volta o silêncio.Agora,as partículas de luz que iluminam meus escritos contém fragmentos da valentia "libelulesca".
Decidi-me. Você não será meu lustre.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um Nascimento

Os olhos fixos a expressão fechada - cara de mau.
Fones no ouvido,punhos cerrados - dentes a mostra
Oh,não! Ele me deixa descomposta.

Andar firme,selvagem,animal.
Postura de lebre,físico de sapo,
Não,ele não está em farrapos.

Ainda questiono aquela pose,
O olhar vago.
Ah,não é nada,só mais um apaixonado.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Parte de Alguém

Eu preciso de você,
Sentir sua bochecha sob meus dedos
Preciso me lembrar
Da minha reação
Aos seus Beijos.
Minha mão precisa sentir
Novamente a ternura dos seus lábios
Para que se recupere e volte
A escrever versos cálidos.
Meu coração precisa ouvir
Que você é de ninguém,
Ou ao menos ser reconhecido
Como parte de alguém.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Novo

Como a maioria das novidades,2009 resolveu ir embora quando começamos a nos acostumar com ele.
E,então,mais uma vez rabiscamos projetos em nossas próprias mentes e nos prometemos fazer "n" coisas que,às vezes,ficam só na promessa.Em 2010 eu espero sentir menos raiva.Eu quero viver mais vezes a sensação da água fria relaxando os músculos dos meus pés,eu quero viver algo natural,espontâneo.Mais dores e menos paracetamol.Eu quero coragem e amadurecimento,mais filosofia e menos best sellers. Mais fantasias e menos pés no chão.Eu quero que a vida perceba que eu estou com os braços mais abertos que eu posso.A ansiedade cedeu lugar para a expectativa,e eu nunca me senti tão otimista.Eu espero que todos os nosso projetos (os meus e os seus,caro leitor) literárarios e/ou não,sejam realizados,encaminhados.
Eu tenho um bom pressentimento em relação a 2010,vai ser um ano de novidades,e o fato do meu horóscopo dizer que vai ser um bom ano,não conta (muito).2010 vai ser incrível porque vou fazê-lo ser. Então,caríssimo leitor,que 2010 seja MARAVILHOSO e que cada uma das suas conquistas seja merecida.Que a inspiração permeie o nosso ano.



FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!!!!!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Dos tempos primitivos

Ele entrou na vida dela de repente,não mais que de repente.Com uma importância miúda e muitos sorrisos.Tornou-se presente e isso nunca fora tão ambíguo.
Viver sem ele,sem pensar nele não tinha graça.As gargalhadas baixas dele a divertiam muito mais do que as piadas clichês de uma comédia ruim.Tê-lo em sua vida era bom demais,normal demais.Conversar com ele era tão natural que parecia uma função orgânica.
Mas de repente surge algo inesperado,alguém com um humor tímido,que passou na vida dele e revirou tudo,num raio de longos cabelos. É,ela duramente percebeu que nem tudo nessa vida é recíproco.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Quiet,recolhida.

É estranho escrever poesia delicada
Rica,rendada e floreado com esmero.
Quando estou fria e retalhada
Por feridas construídas com esplendor.

A amargura é forte,como café escuro
Concentrado,sem açúcar
E com muito creme a lhe disfarçar a aparência.
Eu queria e meus sentimentos ficassem dormentes e parassem de palpitar,

O esmalte carmim se desfaz nas minhas unhas,
Mas meus sentimentos enjeitados passam a cravar rugas
No meu rosto que acaba de se livrar das espinhas.